Paulo Sampaio - Sem preliminares
Paulo Sampaio - Sem preliminares
 

A história de Janice

Era uma vez uma menina muito carente que perambulava de sutiã pelas redondezas de uma conhecida fonte em Berlim.

 

"Eu estava de calcinha também, mas o povo fica enchendo o saco, então vesti o jeans", disse Janice Steinbock (esse era seu nome), que tinha 20 anos.

Usando botas, adereços de couro e uma coleira com tachas, Janice se definia como "adorável e encantadora, mas um pouco louca".

"Sou meio punk, meio skinhead (ela costumava explicar, mostrando o cabelo raspado na nuca) e gosto de fazer amor livre, como os hippies."

Toma banho?

"Adoro água", afirmava a menina, um tanto vaga.

Tem namorado?

"Sim. Eu o amo", disse certa vez.

Estão juntos há muito tempo?

"Desde ontem. Foi amor à primeira vista. Estou simplesmente louca por ele."

Qual o perfil do rapaz?

"28 anos, tímido, na dele: esteve preso durante cinco anos, mas é um doce, no fundo um incompreendido como eu. Sabe o Edward Norton? Pois é, tipo assim.."

Fizeram sexo?

"Não. Com ele quero uma relação mais profunda..."

O que é essa ferida no seu umbigo?

"Meu fuckbody me queimou com o cigarro, mas foi acidente. Na hora em que estávamos transando, num momento de muito tesão, ele me abraçou com força e se esqueceu de que estava fumando."

Você se considera sexy?

"Uau, sim, claro. Quer dizer, pelo menos é o que 90% dos homens dizem..O resto acha que eu deveria emagrecer um pouco (risada marota)."

Quanto pesa?

"85kg. E meço 1,70m."

Se acha gorda?

"De jeito nenhum. Antes, sim, pesava 20 quilos a mais...E você, acha que eu sou gorda (ficando de quatro na borda da fonte)?

Você está bem..

"Você tem namorada?"

No momento, não.

"Quer ser meu 31º?"

Posso ir ao banheiro antes...?

                                                    * * * 

 

Bem que o meu amigo Manolo R., professor e dono de boteco (foto),

 

vive me ensinando: "Olhe sempre o ser humano por dentro. Você vai ver como as coisas adquirem outra dimensão."

Valeu Manolito!

Tô voltando!

Escrito por Paulo Sampaio às 18h08

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RUTH CASÉ GEIERSBERGER

O cabelo verde _versão alemã da melancia pendurada no pescoço_, a matraca solta e as intervenções à esmo na rua fizeram de Ruth Geiersberger, quase 50, uma personagem de TV que ela mesma define como conhecidíssima em Munique. 

_O que você diz aos entrevistados? Alguma piada? É comédia?

_Não, eles riem porque eu ofereço um "servicinho" no trailer (estacionado com a produção): pode ser lavar os pés nessa bacia (ela mostra), cortar as unhas, ajeitar o cabelo.

Ruth vai atrás de um grupo de negros que passa e ri, mas não para:

_Queria um pé preto, ela diz para a reportagem, rindo da cara deles (e da de todos os entrevistados).

Os convidados especiais da humorista nesse dia são o médico Joachim Hennig, 49, e o administrador de empresas Wilhelm Kurek, 60, que apresentam uma dança folclórica da Bavária chamada 'Schuhplattler' (quer dizer mais ou menos "bater os sapatos").

Eles dizem que aprenderam a dançar tarde, Joachim aos 39, Wilhelm aos 56: "Os grupos que praticam o ‘schuplattler’ são muito rígidos em seus princípios, não aceitam novidades."

Novidades? O que eles querem dizer com isso? "Não poderíamos estar aparecendo na TV, por exemplo, nem dançando a dois, eles são realmente muito conservadores..."

Vocês são gays...(não é uma pergunta). "Talvez...sim, somos. Eles não nos aceitariam se soubessem da nossa opção sexual. Esconder como? Só se dançássemos engessados."

Será que é possível alguém dançar o ‘schuhplattler’ sem ser gay?"

 

 O melhor movimento é o que eles chamam de "keien"...

 

...os dois pulam alegremente, um mandando o outro se f.....; a mão aberta espalma à fechada como naquele gesto impublicável no Brasil. Esse é o primeiro movimento da dança folclórica: eles dizem que funciona para levantar o astral logo de saída.

Escrito por Paulo Sampaio às 16h24

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JOGO BAIXO

(Texto produzido ontem e não publicado pela impossibilidade de acessar a internet)

A Unter den Linden, ontem, estava parecendo a Marquês de Sapucaí no fim do Carnaval: só restolho.

O pessoal do sambão deixou a principal avenida de Berlim em marcha lenta, chinelo na mão, enxugando as lágrimas na fantasia. Caso da percussionista mineira Grazielle Grazienne, 25. "Não vou ficar aqui olhando pra cara desses franceses imbecis", disse, aos soluços.

Batuque, mesmo, sobrou só o do povo de Gana: uma toada estilo macumba no meio de uma roda de branquelos bêbados.

A 300m dali, alheio a tudo, um pequeno grupo de brasileiros (os únicos localizados pela reportagem) gritava marchinhas a esmo.

"Eu, chorar? De jeito nenhum, meu filho", dizia a ex-dona de butique atualmente morando em Berlim Linda Moraes, 39.

Para ela, faltou ao time brasileiro "emoção":

"A gente precisa dela pra tudo. Você, por exemplo, quando conhece uma mulher e transa gostoso: o que ela diz? ‘Quero mais.’ Aí, você fica todo bobo, achando que é bom de cama, mas isso não existe. Você simplesmente fez com emoção entende?"

 

E você, curte um corpo a corpo na prorrogação?

PORCÃO

Antes que o blog seja desativado, agora que a Copa acabou, a reportagem presta um tributo a seu grande amigo carioca, cujo prato predileto é leitão pururuca...

 

A imagem foi feita abaixo de um telão instalado às margens do Tier Garten, de Berlim. O homenageado com certeza daria um trato maneiro no leitãozinho. Acompanharia com vinho, vinho, vinho, sobremesa, licor. Depois, sonequinha ali mesmo..

 

Ao acordar, uuuaááhh, mó enjôo...

Os leitores desculpem a licença, por assim dizer, poética, mas sem prestar o tributo acima a reportagem estaria incompleta.

Escrito por Paulo Sampaio às 17h59

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CHEIRINHO DE ARTE

 

Berlim inteira se corroendo de nervosismo durante o difícil jogo entre Alemanha e Argentina, e a estudante de arte finlandesa Leena Pukki, 21, fotografando cocô de cavalo.

"Prefiro merda a futebol", diz a rebelde Leena, que descobriu o excremento equino enquanto pedalava incompreendida e solitária pela principal avenida da cidade, a Unter den Linden.

"Bastards", disse ela, possessa com um grupo de ruidosos torcedores que passaram de carro no local e espantaram pombos que bicavam o cocô.

Escrito por Paulo Sampaio às 19h57

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ANIMAL

 

A morte na semana passada de um urso na Bavária levou os ambientalistas locais a promoverem ferrenhas manifestações em defesa dos animais.

Para Ziegfred Werner, 46, que conta a história, não há nada melhor do que ser urso na Bavária.

"Aqui em Berlim está muito quente, você passa um sufoco horrível para ganhar 3 euros por foto com criança", bufa Werner, em um intervalo para cerveja na Alexander Platz.

Por falta de emprego como pianista, sua profissão original, Werner se transformou há três semanas no "Berliner Bear", como ele se denominou, mas não acha que sobreviverá até o fim da copa.

"De vez em quando perco a paciência com a criança e, para fazê-la ficar quieta, dou uma leve estrangulada em seu pescocinho enquanto batem a foto", diz o bear, com um desperdiçado timing de humorista."Tenho medo de ser o primeiro urso morto a tiros pelos próprios ambientalistas."

Escrito por Paulo Sampaio às 21h08

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BRASILOVA

_De onde você é?

_Sou russa.

_Qual o seu nome?

_Helene Reiswich

_Faz o quê na Alemanha?

_Rum nhum nhá (espécie de risada)

_Rum...

_Sou agente de turismo

_Sua unha é de verdade?

_Gosto desse tom de rosa bem forte.

_Vestir-se de brasileira é mais fácil do que de russa?

_Sim, tem menos roupa para colocar.

_Na Rússia, como você estaria?

_De péssimo humor.

_Acha que, de brasileira, atrai mais a atenção dos homens...?

_Claro, certamente.

_Que tipo de homens atrai?

_Nada que me interesse muito, até agora. As pessoas hoje pensam muito em sexo.

_Você pensa em quê?

_Eu gosto de sexo, mas acho que é uma consequência.

_De quê?

_Rum nhum nhá

_Os brasileiros gostam de russas?

_Eles gostam de mulheres de qualquer nacionalidade.

_Já teve algo com um brasileiro?

_Muito rapidamente.

_Quanto tempo?

_Foi assim: xi, já acabou. Rum nhum...(várias vezes).

Escrito por Paulo Sampaio às 22h15

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OLHA O PASSARINHO!

Da série "perguntas desagradáveis":

O escocês tocava tranquilamente sua gaita.....

 

...quando a reportagem, entediada, resolveu quebrar a monotonia daquele som insuportável:

_É verdade que vocês não usam nada por baixo dessa saia?

_Não sei os outros, mas eu não uso.

_Quanto quer para mostrar se é verdade?

_Joga umas moedinhas aí.

_OK.

_Você quer que eu mostre o traseiro ou o frontal?

_Tanto faz. Posso tirar uma foto?

_OK.

 

 

Algum comentário?

Escrito por Paulo Sampaio às 21h40

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ENTREVISTA COM UMA VAMPIRA

Estava demorando: toda aquela paz garantida em um país como a Alemanha, onde jamais um estranho o aborda na rua para bater papo ou dar opinião sobre a fila no caixa, caiu ontem por terra. Dizendo-se escritora, a alemã Brigitte Basten, idade não revelada, derruba a parede invisível que separa os estranhos aqui e pergunta dentro do trem:

_Ichbinbenberg von burgerking miojolamen?

_Sorry, I don’t speak german...

_Schlosscharlotenburger Brazil? (ela indaga, pegando a credencial pendurada no pescoço da reportagem).

_Ja, ja (diz a reportagem, olhando pela janela)

_Ywou vork vor a päpeir orrsaTV?

_ Paper (a resposta sai, acompanhada de um olhar tipo "qual é ô véia?")

_Ohhh, Päpier?

_Ja,ja

_I am ich burger poetsien (ela se empolga, virando as páginas de um livro invisível e tirando da bolsa uns rascunhos).

A reportagem faz que não vê, fica muda, evita olhar pra Brigitte. Mas o trem todo acompanha, germanicamente, a conversa. A atitude dos passageiros é parecida com a de pessoas de uma cidade muito pequena, onde nunca acontece nada.

__Ich haff ein daughtr..

A reportagem pensa: vou tirar uma foto, assim ela fica quietinha.

_Can I take a photo...


_Photografickaburger?

_Ja, ja

Ela faz uma pose com os dedinhos de diaba sobre a cabeça, achando engraçadíssimo.

 

_Good!

A reportagem espera a recompensa em forma de silêncio.

_Ich liven Leverkusen...(diz Brigitte, arqueando a sobrancelha e colocando a mão espalmada no colo).

Não vai ter jeito: a única saída é inverter a entrevista, fazendo perguntas desagradáveis.

_How old are you?

_Wold? Müe? Ho, ho, ho, yah, ha, ha, no, no, no

Brigitte muda de assunto: diz que passou a noite anterior com uma amiga, apontando uma aliança no dedo anular, e que as duas foram dormir às 3 da manhã.

_Are you married?

_Ho, ho, ho (ela começa a ficar vermelha...)

Como Brigitte troca o "he" pelo "she", e leva a pensar que ela está namorando a amiga, a reportagem pergunta, atritando os dois dedos indicadores:

_Are you dating her...?

_Vat? Däting? (o trem todo prende a respiração, aguardando a resposta)

_Óóóóó, ho, ho, ho, ü, ü, ü.. No, no, no. I’haff bin marred. Ich leften meine husbandrr foifftïn yearsh

_Have you got a boyfriend?

Brigitte finge, ela agora, que é surda, e desce do trem na estação seguinte.

Simples assim.

Escrito por Paulo Sampaio às 19h34

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OSCAR

  

Se fosse personagem de filme americano de gângster, com reconstituição de época, a piloto de ambulância Jimima Yeboah, 35, não estaria tão bem na foto.

Jimima espera o marido, Nana, e os dois filhos, na estação de Leverkusen, para pegar o trem para Colônia.

A propósito, o casal é de Gana.

EXOCET, CALCINHA!

 

Sentada na escadaria da Hauptbanhof de Dortmund, com o namorado, a alemã mostrou o que a brasileira tem.

O popular cobre-cofrinho, ou micro asa-delta, no caso confeccionado com uma nesga de renda rosa.

Escrito por Paulo Sampaio às 12h22

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DE MENTIRINHA

 

A dupla sertaneja "Chicotinho e Bate-bate" diz que não gosta de futebol.

"Somos da noite. Viemos porque curtimos a ‘splendid atmosphere’ das torcidas", explica Herfried Trötgler, 39, o de couro, suando cerveja debaixo do sol a pino.

Trötgler diz que é leather, mas não sadô-masô. O traje é é apenas cenográfico. Ele conta que nunca apanhou nem bateu na cama (na verdade, está um pouco fora de forma para isso).

"Preferimos sexo em silêncio", diz Georg Neuhausen, o outro.

 

BICHO PAPÃO 3

 

Texto do carioca Daniel Ringler ao megafone, no metrô, depois da vitóroria do Brasil sobre o Japão:

"Hoje eu vou comer japinha, hoje eu vou comer japinha..."

Como em uma cena de historinha infantil, as meninas japonesas riam assustadas, apressando o passo, sem entender porque todos os braqsileiros riam.

LYRICS

Trilha sonora da animadíssima torcida japonesa:

Com a base de "Go West", dos Pet Shop Boys, eles cantavam: "lá, lááá, lá, lá, lá, lá, lá..."

Escrito por Paulo Sampaio às 17h05

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NÃO É PRA CHUTAR

Não é galinha preta nem tem nada a ver com macumba.

Na entrada da maioria das lojas de doces e padarias de Leverkusen há réplicas de corvos em ferro pintado de preto.

"É para impedir que os de verdade entrem voando na loja", explica em alemão, batendo as asas, a simpática Frau Schmitz, que é gerente da Bäckerei Efferoth.

 

BUSCA E APREENSÃO

Acostumado com a pujança do Brasil nessa área, um grupo de colegas jornalistas visitou o prostíbulo que atende Leverkusen e arredores e contou que o local é "deprimente". Abaixo, os principais comentários:

* "Só tem quatro mulheres..";

* "....dessas, só uma transa..."

* "... cobra 100 euros..mas ninguém pagou";

* "....ela fez um strip-tease por 20 euros..";

* "....é, mas não mostrou a parte de baixo, só muito rapidamente e logo pôs o biquíni de novo..";

* " ...é romena, como a Nadia Comaneci, e diz: ‘O que eu faço aqui é ginástica’";

* "....a dona do lugar tem 30 e poucos anos, e é a mais bonita, mas não dá pra ninguém...";

* "....a terceira é uma velha gostosa que até daria para o gasto" (idade da "velha": 45);

* "....e tem também uma gordinha que não é de se jogar fora" (Eles mostram na rua o que seria "uma gordinha": algo como a moça da nota "Bicho Papão 2", do post anterior, lembra?)

 

Escrito por Paulo Sampaio às 11h57

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BICHO PAPÃO 1

 

Será que é verdade que os porquinhos que jogam papel no chão na Alemanha são multados? Quem multa?

Herta Dettmer, 43, uma pedestre que está passando na hora, ri com indulgência para a reportagem, como quem diz  "Seu tolinho..." a uma criança que acaba de descobrir que bicho papão não existe

"Eles fazem só para assustar. Nunca soube de um caso", revela Herta, séria.

BICHO PAPÃO 2

Da série "separados no berçário": descoberta a irmã gêmea da promoter carioca Marilena Cury.

Katrin Röedel, 42, estava pintando o cabelo em Liverküsen.

Ao mesmo tempo tímida e exuberante, Katrin, 1,65m, 107kg, só topou sair na foto quando soube que será publicada apenas no Brasil.

Escrito por Paulo Sampaio às 15h40

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SECA

A torcedora brasileira achou que ia fazer uma coleção de copos de plástico tipo resistente, depois de beber em um deles seu refrigerante no estádio.

 

Guardou o dela e ficou de olho nos dos outros, já que ninguém os jogava fora.

"Que bom, vou pegar para levar", pensou ela, antes de descobrir que cada copo devolvido ao bar do estádio valia 1 euro.

 

GIGANTINHOS

Na tentativa de comprar uma calça de agasalho no shopping, o colega fotógrafo não conseguiu achar uma do tamanho correspondente ao dele no Brasil, o 40.

Encaminharam-no a uma loja infantil.

Como se sabe, os alemães produzem "criançonas".

 

Escrito por Paulo Sampaio às 16h31

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NOTA SOCIAL (OU MEMORABLIA)

Teve champanhe ontem na casa de Sônia Bogner, irmã de Florinda Bolkan que mora no Pogenhausen, o Jardim Europa de Munique. 

O drinque foi depois do jantar no Käsee (algo parecido com o Conrad inglês, com vários salões onde se pode comer e comprar, comprar, comprar).

Sônia é casada há 34 anos com Willy Bogner, cujo sobrenome é sinônimo de grife de esqui no continente.

Numa rara exibição de memorablia, ela e outros brasileiros presentes ao brinde abriram o baú e tiraram as melhores histórias de amigos famosos dos anos 70, entre eles Jean Louis Tritignant, Dominique Sanda, Marisa Berenson, Robertino Rosselini...

...Ryan O’Neal, segundo a dona da casa, foi namorado de Bolkan _antes de ela ser apresentada por Visconti à condessa italiana Marina Cicogne e tornar-se sua amiga inseparável.

"A Brigitte Bardot era muito sacana", emenda Lucinha Cochrane, ex-mulher do banqueiro Leo Cochrane.

"Uma vez, quando estava com o Günther Sachs, deu uma festa à fantasia em Saint Tropez e disse que era pra ir sem sapato. Acontece que o chão era de pedrinhas bem miúdas, e, na hora, só ela apareceu calçada. Umas botas que vinham até acima do joelho..."

"A Cristina Onassis, coitada, tinha 500 kg, era muito, muito feia. Só abria a boca pra dizer: ‘Tem Coca-Cola?’", lembra Sônia.

A partir desse momento, começa uma espécie de pingue-pongue de lembranças entre a anfitriã e Lucinha. Abaixo, os melhores momentos.

 

Fala Lucinha: "Cheguei em Roma sem saber nada de italiano, vindo de Londres, e fui com uma amiga a um jantar oferecido pelo Gianni Agnelli (magnata da Fiat) e amigos. Juro: eu era garota, não tinha idéia de nada. Pensava que ele fosse dono de uma frota de táxis...Sabe quando o cara se apaixona no ato? Ficamos juntos quatro anos."

Percebe-se que as histórias são bastante romanceadas, e o champanhe faz tudo borbulhar mais ainda.

Sônia (sobre o Ludwig de Visconti): "O Helmut (Berger) era belíssimo, temperamental e criador de casos. Se apaixonava por todo mundo, homens e mulheres...E bebia, se drogava, fazia escândalos.."

Lucinha: "A Gloria (von Thurn und Taxis), essa desapareceu das colunas desde que começou a namorar a Alexandra Borghese, que é princesa..."

Sônia: "O Versace copiou aquele vestido preto de argolas da Liz Hurley de uma foto da Florinda, imagina, é igualzinho".

Ambas (uma emendando as frases da outra): "Ai, gente, tinha Elza Martinelli, Veruska, o grego, como era o nome dele?...Ué, o Starvos Niarchos...Isso! Que ficou depois com a Silvinha Martins, que tinha namorado com o Richard Gere...gente, e os Rotschild, o Studio 54....(para a reportagem:) A gente viveu a melhor época, meu amor (a essa altura, Sônia apresenta o tom de voz alterado)."

"Cadê o chá de gengibre que a fräulein ia fazer pra gente?", pergunta Lucinha, de volta a 2006.

É hora de um "corte epistemológico": quanto custa uma casa nesse bairro?

(Sônia torce ligeiramente os lábios, semi-cerrando os olhos, como quem diz "tá querendo saber demais, querido"; tenta eufemismos do tipo "O dono da Siemens é meu vizinho de porta, quer mais? O da Krüpps mora logo ali na esquina....tá bom pra você?". No fim, ela acaba não resistindo e solta): "Pode chegar a 11 milhões de euros."

A dela é ampla, com poucos móveis, escadas à Sérgio Bernardes, pé direito alto, três andares, cerca de 300m2.

No dia seguinte, uma parte do grupo iria para Tegernsee, vilarejo a cerca de 60km de Munique, na campanha, onde os milionários se refestelam. Sônia tem apartamento também no Brasil, em Nova York, "no mundo todo" (diz algum porta-voz na sala).

Quando quer pegar sol, ela vai para "a única praia possível", em Palma de Majorca, a uma hora e cinquenta minutos de vôo charter. Vôo charter? "Nem que eu quisesse ir de primeira classe, na Lufthansa, poderia: não existe esse vôo. Vai todo mundo junto, você precisa ver. Até minha empregada tem casa em Majorca...não ao lado da minha, mas tem."

Sônia e a empregada só não são vizinhas de porta porque fräulein, coitada, ganha apenas 5 mil euros por mês. O cozinheiro ganha um pouco mais: comprou até um automóvel Audi A6.

"Está estacionado aí na porta, você viu?"

Escrito por Paulo Sampaio às 18h52

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DOMINGO NO PARQUE

O tiozinho Cristian Hertz, 48, que diz viver de renda, está há cinco minutos plantando bananeira pelado embaixo de uma árvore.

Posso fazer uma foto? "Claro, de onde você é?"

Brasil.

"Acontece de tudo em seu país, mas garanto que você nunca viu isso. Já estive três vezes no Brasil, tinha uma namorada lá.."

Todo mundo tem uma namorada no Brasil. (O tiozinho ri)

22ºC

É verão na Alemanha e a temperatura está excelente para ir à praia.

Mas Munique, como se sabe, está a cerca de 600 km do mar _ então, as pessoas vão ao parque.

A reportagem visitou o English Garten, espécie de Ibirapuera.

Eles fazem de tudo ali: tiram a roupa, mergulham no rio e até pegam onda.

 

O nome do rio é Isar, mas naquele pedaço vira Eisbach; quer dizer "rio gelado":

"Hoje está uma temperatura ótima, 12ºC", diverte-se o câmera man Alex Forderer, 26, recém saído do rio gelado, com a prancha. Ele está com o amigo Jan Vohtt, 22.

A água não é poluída? "Não, é limpinha, vem dos alpes. Por isso a correnteza", explicam.

Um pouco acima, os "surfistas" se jogam no rio, à saída das águas por baixo de uma ponte. Como na Alemanha é tudo muito organizado, eles respeitam sua vez de pegar onda em uma fila. Se alguém toma um estabaco, ninguém ri _simplesmente o próximo da fila pula no rio.

Na verdade, as ondas não vêm uma atrás da outra, como no mar; trata-se de um turbilhão onde o praticante deve manter o equilíbrio, como se fosse um rodeio na água:

"Isso aqui é muito mais difícil do que surf", diz o campeão mundial do esporte no mar, o australiano Ross Clark-Jones, que está na Alemanha para assistir à Copa e aproveitou para dar um mergulho.

 

Na área de nudismo, a cerca de 300 m dali, não existe delimitação, nem obrigação ou preocupação: tira a roupa quem quer.

 

Mais à frente uma dupla joga frescobol. Cabelos pretos, ela com um biquíni decente, ele de sungão, ambos bronzeados. Adivinha? Lógico, brasileiros.

Ela é Cyntha Howlett, 29, a jornalista carioca, e ele, Sérgio d’Agostini, 39, médico gaúcho .

"Ninguém reclamou até agora, não sei como. Aliás, o povo já até aplaudiu", diz Cynthia, aplicando na bola raquetadas cada vez mais fortes.

"Isso aqui está tão bom que a gente até esqueceu que tem jogo", diz ela.

Escrito por Paulo Sampaio às 11h40

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RUÇO SARARÁ

O amigo Joachim levou dois dias, mas finalmente conseguiu traduzir o rap alemão.

Diz que não se responsabiliza muito pelo trabalho: "O que o cara canta não tem nada a ver com nada", acredita Joachim.

Como na maioria das músicas de protesto, a letra é uma chatice, por isso a reportagem se reserva o direito de transcrever apenas o estribilho do início e alguns trechos.

TÍTULO: Ersguterjunge/Ele é um bom garoto

Wer ist dieser Junge?/ Quem é esse garoto?

Ich bin dieser Junge/Eu sou esse garoto

Guck uns an ich spuck dir 2 Kugeln in die Lunge/Olha pra gente, eu disparei duas balas no meu pulmão

Diese 2 ficken 3 die du holst/Dessas duas porras três você levou

Diese 2 ticken 3 Kilo Koks/Duas por três quilos de cocaína

(De novo, blá, blá, blá)

2a. PARTE: DIÁLOGO ENTRE BUSHIDO, O AUTOR REVOLTADO, E SAAD, UM MAURICINHO IDIOTA

Bushido: Ersguterjunge/Ele é um bom garoto

Saad: Ich mach harte Musik mein Label

überlegt sich welcher Maserati mir liegt/Eu faço da música pesada minha etiqueta, pensando em qual o melhor Masetrati pra mim

Ersguterjunge/Ele é um bom garoto

Bushido: Du hast nicht halb soviel Potenzial

Du traust dich ohne Bodyguard nicht in meine Stadt zu fahren /Você não tem metade do meu potencial, não vai a minha cidade sem os seus guarda-costas

Saad: Ich bin ein Ersguterjunge/Ele é um bom garoto

Bushido: Der euch Kids killt?Quem mata vocês garotos?

Saad: Der Junge der von Curse`s Liebeslieder nix hält /O garoto que não gosta de baladas de amor...

Bushido: ....(CHEGA!)

Escrito por Paulo Sampaio às 20h52

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JÜNGERIANO

 

Pai de duas filhas, o psicólogo Jünger Nütschmann, 49, leva a menorzinha pela coleira.

Celina, 3, não parece apreensiva.

Será que é comum isso na Alemanha?

"Estamos só brincando de cavalinho", desconversa o psicólogo.

 

MONOTONIA

 

Uma passagem por baixo da avenida, como essa, no Brasil, remete a três tipos de situação:

* estupro

* sexo homossexual consentido

* mictório público.

Aqui é apenas um caminho para velhotas indefesas, ciclistas e pedestres da vizinhança.

ÚTIL E AGRADÁVEL

Na Alemanha por onze dias, o atacante Sena, 18, e o meia-direita Wagner, 17, do juvenil do Internacional, viajam o país fazendo "exibição com bola".

50 euros por dia.

Escrito por Paulo Sampaio às 14h25

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CAFOFO

Soa familiar o nome de uma das maiores cadeias de lojas de departamentos da Alemanha.

A famosa Kaufhof.

 

RUA DA AMARGURA

Batizada de "Maria do Rosário" pela reportagem, a portuguesa que indica as rotas no GPS do carro revelou-se uma pessoa extremamente rancorosa.

Ela não perdoou o motorista por ter-se recusado a ir em frente, diante de uma via interditada para conserto.

Rosário simplesmente não abriu mais a boca, impedindo também as setinhas do aparelho de se manifestarem.

Deixou o motorista a deriva, entre o castelo de Caras e Berlim. 

 

OFERTA E PROCURA

Se o fotógrafo fosse bom, ou se estivesse com uma grande angular, talvez pudesse mostrar na íntegra a imensa vitrine de Berlim com doze manequins _todas "morenas".

Na Alemanha elas preferem ser Raica.

No Brasil, Gisele Bündchen. 

Escrito por Paulo Sampaio às 20h11

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FALA SÉRIO

Quando a loja não é de grife nem tem um aspecto padronizado, como Fendi, Dolce & Gabbana, Gucci etc, os alemães criam suas próprias vitrines.

Resultado:

 

 

ERSGUTERJUNGE

É engraçado ouvir um rap cantado na língua de um povo tão CDF quanto o alemão.

Palavras imensas crescem ainda mais, de acordo com o amigo Joachim.

A do título da nota quer dizer "Ele é um bom garoto" _numa linguagem bem rastaquera.

Na verdade, o "ER" do início deveria estar separado do resto.

Joachim teve de levar o CD pra casa; vai ouvir, tentar entender e dizer do que se trata.

  

 

DÁ UM LOOK

As duas são búlgaras.

Saíram para dar uma voltinha no centro de Munique.

Escrito por Paulo Sampaio às 22h33

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PINÓQUIO

 

Hérman Battiato é argentino, tem 32 anos, e faz ponto em cima de um tapete oriental, no miolão sofisticado de Colônia.

Segundo ele, o enorme instrumento que aparece em sua boca é australiano e se chama Didjeridoo.

Battiato diz que não considera pagação de mico passar o dia inteiro emitindo um som parecido com o dos dinossauros de Steven Spielberg.

 

GLOBALIZOU GERAL

Sophie, 15, e Natalie, 16, caminham de mãos dadas pela rua principal de Colônia.

"Somos muito amigas", dizem as duas, felizes por conseguir chamar à atenção de alguém e ainda sair na foto.

As moças andam de mãos dadas, os rapazes tiram a sobrancelha. 

 

ACHADOS E PERDIDOS

Encontrado um irmão bastardo de Fábio Assuncão.

Filho de mãe alemã e pai brasileiro, ele nasceu e morou em São Paulo até os seis anos.

Atualmente Marco Nicolai, 23, trabalha na Häagen Dazs de Colônia.

Escrito por Paulo Sampaio às 04h56

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IGUALZIM

O rio da foto é o Main, o Tietê de Frankfurt, fotografado de uma roda-gigante.

Só falta em São Paulo a roda-gigante.

 

IRC!

A alemã detestou o guaraná oferecido numa festa brasileira.

Diz que prefere vinho de maçã.

 

SE JOGA

 

As duas barangonas inglesas bem que tentaram.

Eram as únicas mulheres no bar, mas nego só tinha olhos para o jogo.

Escrito por Paulo Sampaio às 11h21

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ALONGAMENTO

 

Radicada em Frankfurt, a amiga Carol diz que não é fácil atrair a atenção dos alemães.

Carol não está sozinha.

Em uma manhã inteira, o iraniano Zarwan Kamali-Dehkordi diz que conseguiu apenas 5 euros.

WHO'S WHO

Pessoalmente, o casal da foto inspira uma curiosidade irrefreável.

Anna, bem mais forte, parece o homem da relação.

E Matthis, a mulher.

DESCOBERTA DA MATZEN

Uma judia que acompanha a equipe achou a bolacha kosher escondidinha em uma prateleira do supermercado.

Escrito por Paulo Sampaio às 17h24

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ATENÇÃO, VOCÊ

que está na Alemanha e ainda não entendeu o código da night. De acordo com Ana Cristina Pacheco (foto), 23, paulista que fala alemão e no momento orienta a imprensa em Königstein, o assédio masculino aqui é sem rodeios.

"Os caras dificilmente ‘ficam'. E não tem essa história de pegar na gente, passar a mão, puxar o cabelo. Ou eles levam a menina para cama na mesma noite, ou trocam telefone e ligam no dia seguinte. Você sabe exatamente o que o cara quer."

Pacheco aconselha cuidado com as mãos. Pegar no assediante pode ser a senha que libera o abate. "Eles não estão acostumados com tanta liberdade", alerta.

DÚVIDA

Um barraco envolveu hoje à tarde repórteres não credenciados de rádio e TV, Fifa e CBF.

Os jornalistas queriam saber qual é, afinal, o critério utilizado pela organização para liberar algumas vezes sua entrada (caso da coletiva com Parreira), e barrar em outras.

A Fifa explica que fiscaliza o credenciamento, mas no caso da coletiva de hoje o território era da CBF. Diz que eles estavam "em casa" _e que, portanto, tinham direito a receber ou não quem quisesse.

A CBF afirma que o problema é a fiscalização rigorosa da Fifa _mas que mesmo assim tem liberado a entrada dos descredenciados até agora para fazer uma gentileza.

Por que a CBF só faz a gentileza de vez em quando? O que impediu de fazer hoje?

 

 

Escrito por Paulo Sampaio às 19h20

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MARIA CHIQUINHA

 

Wolfgang Kalekta é um velho aposentado, viúvo, os filhos criados, que se tornou andarilho.

Aos 69, diz que não deve nada a ninguém.

 

CAVALO DE PAU

O ponteiro do velocímetro chega aos 210km/h, na estrada de Königstein para Frankfurt, quando a reportagem percebe que desprezou as indicações do guia GPS no painel, e perdeu a saída para a cidade.

Em portugês de Portugal, a voz gravada da moça no aparelho repete sem parar: "Se possível, dar meia volta." 

 

SANTA LUZIA

Quem sai do Brasil tem sempre duas maneiras de achar as coisas baratas: ou não faz a conversão do preço em real, ou compra aquilo que lá é importado. Sugestão de cesta básica na Alemanha:

* vinho spätburgunder (pinot noir), da vinícula kaiserstuhl, em Baden, a melhor da Alemanha: 6,9 euros

* queijo camembert President (250g): 1,59 euros

* baguete: 0,59 euros

* tablete de chocolate Lindt: 2,49 euros 

* caixa de cereja (300gr): 2,49 euros

Total: 14,06 euros, ou  cerca de R$ 40

 

AH, BOM

O observador leigo não vê nada muito diferente acontecendo durante o treino de um time de seleção --mesmo que seja a do Brasil.

Em duas horas, só um bando de homens feios correndo, chutando, cabeceando ou agarrando a bola.

Na busca de explicações para entender a necessidade de tantos fotógrafos no local, a reportagem, intrigada, pergunta a um colega da área:"Alguma foto legal hoje?"

Ele responde que sim, uma imagem sensacional: o atacante Fred enfiando o dedo no olho de Ronaldo.

Escrito por Paulo Sampaio às 15h58

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HERR MACHO

 

 

Quem tem mais de 30 anos e tira a sobrancelha, no Brasil, é chamado de bichona.

Menos de 20, de boiolinha _ou mauricinho metrossexual.

"Nein, nein", assusta-se o estudante alemão Dirk Strechlib, 19.

Strechlib diz que é macho e põe a culpa na namorada, explicando que foi ela que tirou a dele.

Mas confessa: "Foi por causa do Beckham."

ZORRA TOTAL

O garçom do bar do hotel não está habituado com a "alegria" dos brasileiros.

São cerca de 23h, quando Lindner desabafa: "Só tenho dois braços e duas pernas, e não estou acostumado a ser chamado com um estalar de dedos."

Muito menos, diz ele, a servir os clientes na mesa _em países que não conhecem a escravidão, espera-se que o cliente se levante e pegue a sua própria bebida no bar.

Ah, e que deixe uma gorjeta para o barman. 

 

GLOBALIZAÇÃO ANIMAL

 

A perua e o leopardo são dois bichos indissociáveis em qualquer país do mundo.

Na Alemanha, os dois se encontram até no computador.

O mouse da foto custa 20 euros no Media Markt.

 

 

Escrito por Paulo Sampaio às 15h55

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SÓ PODE SER

Uma das maneiras mais saborosas de se conhecer um país é visitar seus supermercados.

No caixa engarrafado por causa de um grupo de brasileiros que empurram carrinhos abarrotados de novidades, a mocinha que atende dá um grito na direção do gerente: “Knofpoheishtrashemburger!!”

Seja lá o que for, soa algo como: “Socorro! Tem brasileiro na fila!!”

 

INVERSÃO TÉRMICA

A cerveja na Alemanha é servida quente, e o café expresso, frio.

 

OUTRAS PALAVRAS

Alguns vocábulos alemães lidos livremente por brasileiros parecem coisa de bêbado.

Como “zentrum” (centro); “kalzium” (cálcio); e “commerzbank” (banco do comércio).

Acontece que o "z", em alemão, tem som de "qs".

Escrito por Paulo Sampaio às 19h25

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O pessoal da redação me diz que blog é literatura trash; então, nada melhor do que embarcar na Copa com uma...

....PIADA SUJA

Um alemão recendendo a cerveja choca, com uma franja gosmenta colada na testa, solta um bafo azedo ao se sentar na poltrona de primeira classe do vôo São Paulo-Frankfurt.

Antes de a comissária passar com o champanhe, o alemão tira os sapatos e cruza perigosamente as pernas, deixando o pé podre a poucos centimetros do nariz de seu vizinho de assento --a reportagem.

Com um willkommen desses nem foi preciso tomar o Dormonid de praxe para apagar.

COELHINHA

Mó chuchu a rainha do verão (5ºC) de Königstein.

Mas politicamente incorreta: "É pele de coelho", diz Annika Metz, 21, segurando com as duas mãos a estola que leva nos ombros.

A FÁTIMA É ÓTIMA

"Eu adoro a Ótima!", diz Fátima Bernardes para Bussunda, na beira do campo do Taunusgymnasium, onde os jogadores brasileiros estão treinando.

Os Cassetas estavam todos lá, com exceção, justamente, de Reinaldo, que "interpreta" Ótima --a apresentadora corretinha.

"O Reinaldo não veio porque não gosta de futebol, só de jazz, e ia ficar enchendo o saco", diz Cláudio Manoel.

DE UM GOLE SÓ

Já tomou porre de caipirinha alemã?

Escrito por Paulo Sampaio às 21h49

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Paulo Sampaio Paulo Sampaio, 43, é repórter do caderno Cotidiano da Folha de S.Paulo

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